sábado, 10 de julho de 2010

Pôster de Jimmy Corrigan incluso na edição japonesa da obra

Para quem leu Jimmy Carrigan: The Smartest Kid On Earth, a depressiva e genial obra de Chris Ware, é difícil sair intacto de páginas como esta que foi publicana na versão japonesa:
(clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Saga do Monstro do Pântano fase Alan Moore

Alan Moore assume a revista a partir do número 20. Intitulada Pontas Soltas, ela foi lançada em janeiro de 1984 e apenas dá continuidade ao arco de histórias da dupla anterior. É na revista seguinte que Moore realmente imprime toda sua genialidade.
Lição de Anatomia é um marco na indústria dos quadrinhos americanos. Após a criatura ter sido perseguida e supostamente morta a tiros pelos homens do General Suderland (na edição 20), o corpo do Monstro se encontra em uma câmara de criogênio na comporação Sunderland. Neste número ficamos sabendo, através da autópsia de Jason Woodrue (vulgo Homem Florônico) que o Monstro do Pântano não é Alec Holland, mas sim planta que acredita ser Alec Holland. “Achávamos que o Monstro do Pântano era Alec Holland, de algum modo transformado em numa planta. Não era. Era uma planta que achava que era Alec Holland” diz Woodrue. A planta de alguma maneira conseguiu se alimentar dos restos mortais de Alec que foram lançados no pântano e conseqüentemente adquiriu a consciência e a memória de Alec e desta forma se moldou com um corpo humano.
Desde modo, descobrimos que a criatura não pode morrer, pois o que a mantém viva é a consciência e não o corpo, já que este é totalmente artificial. Ela acaba por conseguir uma “consciência panteísta” e pode transferi-lá para qualquer lugar onde haja o “Verde”, ou seja, a Natureza. Ainda nesta edição, a criatura ressurge dentro da sala aonde esta seu antigo corpo e lê as anotações da autópsia de Woodrue, descobrindo assim sua verdadeira natureza. Confuso e com raiva, ele acaba assassinando Sunderland, depois de saber que foi ele o mandante da sabotagem ao laboratório de Alec Holland.
Lição de Anatomia se tornou um marco dos quadrinhos, quebrou barreiras. Nos números subseqüentes, Moore explorou vários gêneros como terror, ficção científica, mistério e epopéias. Abordou temas como o sentido da vida, do amor e do sexo, utilizou o personagem para criticar o capitalismo e desmatação da natureza, bem como a indiferença e falta de consciência do homem industrializado com a questão do meio ambiente, tudo isto com uma qualidade poucas vezes vista no mercado americano, elevando assim os quadrinhos a um novo patamar. Monstro do Pântano é um extraordinário laboratório de idéias, temas e atmosferas que desafiam a fronteira entre o mainstream e o alternativo, e vão vencer o selo do Comics Code.
Moore transformou um personagem de terceiro escalão em um sucesso. A revista, agora rebatizada de A Saga do Monstro do Pântano, que antes estava para ser cancelada, alcançou um sucesso de público e crítica, triplicou suas vendas de 19.000 para 60.000 exemplares vendidos mensalmente e ganhando vários prêmios. Esta fase ainda é importante no sentido de ser a gênese de uma importante linha de quadrinhos da DC, a Vertigo/DC. Linha esta com histórias mais adultas, casa de séries muito conceituadas como Sandman de Neil Gaiman, Os Invisíveis de Grant Morrison e Preacher de Garth Ennis, todas igualmente importantes para a aceitação dos quadrinhos. John Constantine, o personagem mais famoso da linha Vertigo e publicado na revista Hellblazer, foi criado por ele na série do Monstro do Pântano.
No ano de 1987, Alan Moore saiu da revista, deixando o roteiro a cargo de Rick Veitch, que já estava desenhando as histórias do Monstro na sua própria fase, e partiu para fazer trabalhos mais pessoais (Watchmen, V de Vingança, Do Inferno), que posteriormente também viraram exemplos do melhor que os quadrinhos podem oferecer.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O Surgimento de O Monstro do Pântano

O Monstro do Pântano (Swamp Thing) é um personagem criado em 1971 pelo roteirista Len Wein e pelo desenhista Berni Wrightson para a revista House Of Secrets da DC Comics. Sua história gira em torno do personagem Alec Holland. Alec é um cientista que trabalha junto de sua mulher Linda Holland, em um fórmula que visa restaurar as plantas da Lousiana, porém o projeto é sabotado, seu laboratório explode por conta de uma bomba que é colocada lá, Linda morre e o corpo de Alec é arremessado, devido a explosão, no pântano da Lousiana, que ficava as margens do laboratório. Como é típico nas histórias em quadrinhos de super-heróis, acontecimentos desta natureza viram mote para a criação dos personagens e assim surge o Monstro do Pântano, uma criatura feita de galhos, folhas, musgo e ervas daninhas, entretanto com uma aparência meio humana.
Após este acontecimento, o monstro parte em busca de vingança e acaba indo parar na Europa aonde encontra o arque vilão Anton Arcane, um feiticeiro obcecado em enganar a morte, sua sobrinha Abigail “Abby” Arcane e o investigador Matthew Cable, que se torna confidente do monstro.

Apesar da criação não ser muito original, o personagem ganhou uma revista própria. As histórias eram boas e ganharam certa fama, atraindo o público com enredos baseados em clichês de terror e suspenses góticos. Porém, com o passar do tempo a revista não conseguiu manter a sua qualidade e a vendagem caiu, terminando por ser cancelada e o personagem indo para o chamado limbo do Universo DC. O personagem só voltou a aparecer em 1982 com uma nova dupla encarregada das histórias.
Marty Pasko (roteiro) e Tom Yeats (arte) retornaram do ponto aonde as histórias de Wein e Wrightson haviam parado. A dupla introduziu novos coadjuvantes como o casal Liz Tremayne e Dennis Barclay e os vilões de uma companhia chefiada pelo General Sunderland.

Este novo elenco tomou conta dos dezenove primeiros números da série, que teve seu clímax num novo embate (do Monstro) com Anton Arcane, agora uma medonha criatura meio aracnídea depois que sua busca pela divindade o fez afundar ainda mais na monstruosidade. Enquanto planeja tomar posse do corpo do Monstro do Pântano através de alguma espécie de transplante mental, Arcane é frustrado no último instante e acaba por morrer como uma inteligência desencarnada sem esperança de encontrar um novo corpo.

Como já havia ocorrido com a primeira dupla, esta não conseguiu manter o padrão das histórias e a revista estava a perigo de ser cancelada, quando surgiu o convite a um inglês que estava ganhando fama nos quadrinhos de sua terra natal. Inglês este que viria a marcar seu nome na história da história em quadrinhos. (Continua)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Links

Alguns artigos ou resenhas interessantes sobre quadrinhos do momento:

Asterios Polyp por Matthew J. Brady

Sweet Tooth #01 por Leroy Douresseax

The Squirrel Machine na Comics Reporter

Hambug por Chris Allen

George Sprott por Pedro Moura

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Astrologia de All Star Superman

Quando, em 2006, a DC Comics criou a linha All Star com a proposta de reunir seus maiores ícones em termos de personagem e artistas, muitos torceram o nariz. Não sem razão, já que a editora perdeu muito crédito com suas recentes trapalhadas e maxiséries intermináveis. Mas, felizmente, quem leu as histórias do Superman feitas para esta linha, acabou apreciando uma série memorável, graças, principalmente, a duas pessoas:

O primeiro é Grant Morrison, uma das maiores estrelas dos quadrinhos mainstream, que nos surge como roteirista da série. Ele é um dos escritores mais criativos que têmos o prazer de ler neste meio. Quem acompanhou The Invisibles, Animal Man, Doom Patrol ou We3, por exemplo, sabe como Morrison é deveras genial.

Para as histórias do Homem de Aço, que sairam em doze números, ele nos remete a Era de Prata das aventuras de super-heróis. Suas histórias se apresentam em um tom nostálgico, de puro deleite, em nada pretendendo a temática dos últimos tempos, em que os super-heróis são retratados "na vida real". Morrison sabe que Superman faz parte de uma Mitologia Moderna, é um arquétipo, uma transposição de sonhos almejados pela humanidade e que foi dessa maneira encantou gerações de leitores.
Cada número funciona como uma história solo, uma história épica, nas quais Superman se depara com grandes feitos. É difícil transpor em palavras o prazer da leitura de tais histórias, como quando Superman da um último adeus ao seu pai Jonathan Kent, a luta contra Solaris, sua estadia no Planeta Bizarro, a epifania de Lex Luthor, Superman impedindo uma suicida de pular de um prédio (talvez umas das páginas mais comoventes já escritas neste meio), enfim.
O segundo é Frank Quitely. Nada disso talvez seria possível sem a mão deste desenhista, que fez um de seus melhores trabalhos. Sua precisão nos detalhes, na feição dos rostos, cenas de ação, narrativa, só vem reafirmar sua posição como um dos melhores desenhistas trabalhando com os super-heróis da atualidade.
Créditos também para Jamie Grant, o colorista e arte-finalista da série, que fez um trabalho admirável em todas as histórias.


Fica a impressão de que a cada leitura de All Star Superman, somos equiparados aos astrônomos renascentistas, descobrindo novas estrelas, novos brillhos, fruindo a beleza dos astros de uma velha constelação que parecia ter perdido seu encanto.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Freakangels. Warren Ellis e Paul Duffield. (HQ disponível pela internet)

Muito se tem discutido nos últimos anos sobre o futuro das indústrias e mídias, digamos assim, paupáveis. A internet realmente acabará com as grandes gravadoras, jornais, editoras e etc, que não estão totalmente interagidas na grande rede? Difícil responder. Agora, uma editora independente de quadrinhos americanos parece ter dado um primeiro passo para tentar solucionar esse impasse.
Há mais de um ano e meio (pra ser mais exato foi no dia 15 de fevereiro de 2008), a Avatar Press disponibiliza, gratuitamente e quase sempre semanalmente, capítulos de uma história em quadrinhosb pela internet. A série se chama Freakangels e é escrito pelo roteirista inglês Warren Ellis com desenhos de Paul Duffield. Talvez esta iniciativa não teria chamado tanta atenção se não fosse a presença de Ellis, um dos melhores roteiristas de quadrinhos desta década.
Uma sacada legal foi disponibilizar as histórias impressas, pra quem quiser tê-las em mãos, podendo ler sem precisar ligar o computador. O primeiro volume saiu em dezembro passado contendo os 24 primeiros capítulos e um segundo volume já está a venda no site da Avatar).

Porém, muito além de ser uma ousada jogada de marketing, Freakangels é uma ótima história em quadrinhos, com uma boa trama , diálogos inteligentes e desenhos que agradam . A história se passa em uma Inglaterra inundada pós-apocalipse, onde os bairros viraram pequenas ilhas e a ação é centrada em Whitechapel, lugar da moradia do estranho grupo Freakangels.
Então, para aqueles que se interessaram, fica aqui a dica: é só acessar o site (http://www.freakangels.com/) e apreciar as histórias.



P.S. Quem não souber ler em inglês o suficiente, existe um Google Translation no próprio site, podendo traduzir aquelas frases que você não entendeu muito bem.

terça-feira, 21 de julho de 2009

As Aventuras do Tenente Blueberry. Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

Quem nunca se deparou com algum filme, quadrinho, desenho animado ou música que tivesse o western norte americano como seu tema principal? Com seus cowboys (que nem sempre são cowboys de verdade) fora-da-lei, frutos de uma extrema pobreza desértica, amantes de cavalos, brigões e envoltos em guerras civis que dilaceraram algumas regiões no século XIX (em muitos aspectos se assemelha ao gaúcho da bacia platina aqui na América do Sul), o western, bang-bang ou faroeste (far west), como nós o conhecemos no Brasil, é admiridado e povoa a imaginação de muitas pessoas mundo afora, inclusive este que aqui vos escreve, que lembra-se perfeitamente de quando pequenino se vestir como um cowboy, possuindo uma winchester de borracha, com um coldre, montado em um cavalinho de pau com rodinhas e atirando contra, imaginários, peles vermelha.

O western se espalhou pelo mundo graças ao cinema estado unidense de John Ford, que o transformou em um típico produto americano. A partir, principalmente, da década de 50, a Europa começou a criar histórias de faroeste americano, chegando a Itália a ter o seu próprio gênero, o Western Spaghetti, sendo os filmes de Sergio Leone e fumettis de Tex, criados por Luigi Bonnelli e Aurelio Gallepini, seus grandes expoentes.

É em virtude desta "febre" que em 1963 surge, na França, um quadrinho com este tema para as páginas da revista Pilote n° 210. Sua história se chamava Forte Navajo e girava em torno do tenente Blueberry. Com roteiro do belga Jean-Michel Charlier e desenho do novato francês Jean Giroud (que já havia trabalhado em outra série de western chamada Jerry Spring) , a história ganhou público e recebeu muitos elogios, criando-se assim uma série só sua denominada As Aventuras do Tenente Bluberry. Nesta série, Charlier se mostrou um escritor de muito talento, sabendo conduzir suas histórias com tramas inteligentes que não subestimavam o leitor, dosando momentos de ação com os reflexão, personagens bem desenvolvidos, aspectos históricos apurados, nos mostrando que realmente sabia como usar o que tinha nas mãos.
Já o jovem Giroud, ou Gir como algumas vezes assinava seus trabalhos, mostrava talento para desenhar. Toda uma representação daquele velho oeste, seu solidão desértica, a maneira como ele traça os índios, seus trajes, rostos, a anatomia dos cavalos, especificando tipos diferentes. É quase possível sentir o calor emanando das pradarias, o vento empoeirado batendo no rosto, a fruição é contínua e excitante. Algum tempo depois, Giroud iria se transformar em um tragressor de linguagens (dizem pelos bastidores que isso ocorreu depois de sua primeira viagem com LSD), adotando o pseudônimo de Moebius e criando obras como Aztech, A Garagem Hermética e desenhando a série Incal para Alejandro Jodorowsky (outro gênio do nosso século). Todas elas com desenhos mágicos, herméticos e lisérgicos que ainda influencia toda nova geração de desenhistas (vide Frank Quitely, por exemplo). Mas este é um capítulo a parte


Por estes e outros motivos, a série é cultuada como um clássico não só dos quadrinhos de western, mas também de tudo relacionado a este tema na Europa. O Tenente Bluberry continua até hoje, mas com a morte de Charlier em 1989, seus roteiros ficaram a cargo de Giroud, assumindo assim duas funções e em consequência disso diminuindo o ritmo das publicações. Ao todo já foram quase 40 albúns publicados nesses quase 50 anos, com histórias de Bluberry moço até um Bluberry mais idoso. No Brasil algumas delas foram publicadas década de 70 pela editora Vecchi, no início de 1990 pela editora Abril e um número pela Editora Panini em 2006. Muito pouco para um clássico que merece ter mais oportunidades e espaço em nossa formação.